Turismo religioso em Olinda ganha forças com a reabertura da Igreja do Carmo

Igreja do Carmo, em Olinda, Pernambuco

Aspecto da Igreja do Carmo em Olinda após a restauração

Mais uma boa notícia para o turismo religioso no Brasil: depois de longo e meticuloso processo de restauração, a tradicional Igreja do Carmo de Olinda, em Pernambuco, foi oficialmente reaberta no início do mês de Agosto.

Primeira igreja da Ordem dos Carmelitas erguida na América Latina, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo do Antigo Convento de Santo Antônio do Carmo de Olinda, tem mais e quatro séculos de idade e após muitos anos de reforma, voltou a ser usada como templo religioso após uma Missa de Rededicação no último dia 5 de Agosto..

Nesses 400 anos de história, foram muitos os períodos de obras. A restauração completa teve início em 1995 e recebeu recursos da ordem de R$ 6 milhões do governo federal por meio do Ministério da Cultura e do IPHAN, em programas como o Pronac, Monumenta e PAC Cidades Históricas, além da parceria da Prefeitura de Olinda e da Ordem do Carmo.

O IPHAN coordenou os trabalhos que devolveu à edificação de quase dois mil metros quadrados seu caráter renascentista original, com a predominância da horizontalidade, da simetria e da planta ordenada a partir de um eixo central. Volumetricamente, também guardou a simplicidade da silhueta e telhado em duas águas.

Com as intervenções, a cantaria (elementos de pedra) foi reformada tanto da área externa quanto na interna. As obras também incluíram o piso, o telhado, as paredes, que foram revestidas. A Igreja do Carmo ganhou novo sistema de hidráulica e elétrica.

O altar mor e o altar do Santíssimo estão prontos e adornados com tons dourados. Os entalhes em madeira se livraram dos cupins e ganharam de volta o brilho do ouro. O trabalho de recuperação da nave permitiu aos restauradores descobrirem os seus detalhes originais, feitos em pedra.

Na área externa, uma escada rodeando o Cruzeiro permite o acesso à colina. O templo ganhou móveis novos e a pintura também foi refeita respeitando as cores originais da construção.

A fase da prospecção arqueológica, que precisa ser feita sempre que um prédio histórico passa por obras de restauro, evidenciou os alicerces do antigo Convento e da Capela da Ordem Terceira.

Além de resgatar as características históricas e arquitetônicas do prédio, a obra incluiu medidas da atualidade como a adequação à acessibilidade. Agora, cadeirantes terão uma rampa de acesso que vai do estacionamento localizado no Parque do Carmo até a Igreja, além de banheiros adequados para portadores de necessidades especiais.

A resistência do monumento em 400 anos de história

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo do Antigo Convento de Santo Antônio do Carmo de Olinda é tombada pelo IPHAN desde 1938. A Ordem dos Carmelitas se instalou em Olinda, na ermida de Santo Antônio e São Gonçalo, por volta de 1580 quando teve início a construção da igreja.

Quando Olinda foi destruída pelos holandeses, em novembro 1631, a igreja e o convento sofreram sérios danos. A partir de 1654, com a expulsão dos invasores, os frades voltaram ao convento em ruínas e deram início à reconstrução. Em 1704, começaram as obras internas e foi erguido o Cruzeiro na frente do templo. A torre do lado sul foi concluída em 1726.

A igreja foi fechada em 1820 com a transferência do padre prior para Recife, o que provocou o abandono do convento. Outro grande golpe veio em meados do século XIX quando as fachadas Leste e Norte do convento ruíram, abrindo espaço para a ação de vândalos e saqueadores.

Foi só em 1897 que o frei Mariano do Monte Carmelo Gordon fez obras de restauração na capela-mor e mandou camarim com suas arcadas, pilastras e abóbada e nos anos de 1966 e 1968, foram realizados restauros já pelo IPHAN (na época, SPHAN), que devolveram à igreja seu traçado primitivo.

 

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