Artigo do Arcebispo Dom Murilo Krieger aborda o turismo religioso

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, uma das atrações de turismo religioso em Salvador, Bahia

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, uma das atrações de turismo religioso em Salvador

 

Poucos estados do Brasil têm tantas belezas a mostrar aos turistas como a Bahia. Poucas cidades da América Latina tem o potencial turístico de Salvador.

Ora, o turismo, em nossos dias, é um fato social e econômico com muitas dimensões. Milhões de pessoas se deslocam anualmente, dentro do próprio país ou em direção a outros países. Além disso, uma multidão de pessoas vive do turismo, participando dele como agentes de viagens, funcionários de hotéis e de restaurantes, em atividades auxiliares ou, então, como residentes dos lugares que atraem turistas.

Pois bem, é nesse amplo campo que se desenvolve a Pastoral do Turismo – isto é, a presença e a ação do pastor junto àqueles que partem para conhecer e admirar outras paisagens, para fazer uma viagem histórica, para descansar ou para fazer uma experiência religiosa; o bom pastor se faz presente, também, junto àqueles que, vivendo do turismo, necessitam de uma assistência pastoral especial.

“O mundo do turismo constitui uma realidade extensa e multiforme, que exige uma atenção pastoral específica”, lembra o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes. “O propósito central da pastoral do turismo é o de suscitar aquelas condições excelentes que ajudam o cristão a viver a realidade do turismo como momento de graça e de salvação.

O turismo pode ser considerado, sem dúvida, como um daqueles novos areópagos de evangelização, um daqueles grandes campos de civilização contemporânea e da cultura, da política e da economia, nos quais o cristão é chamado a viver sua própria fé e sua vocação missionária.” (“Orientações para a Pastoral do Turismo”, 18).

A Pastoral do Turismo deve inserir-se na pastoral ordinária da Igreja e coordenar-se com outros setores. O lugar onde ela se desenvolve é a comunidade local. Ali o turista deve receber acolhida cristã, na linha do que nos ensina o autor da carta aos Hebreus: “Não descuideis da hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber” (Hb 13,2).

[pullquote align=”right”]Somos eternos viajantes, à procura do novo, do desconhecido, do belo. Muito faremos se ajudarmos os turistas a descobrirem que, no fundo, suas insatisfações e buscas têm um objetivo e um nome: Deus. [/pullquote]
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Acolher os turistas e apoiá-los em sua busca da beleza e do repouso é a expressão de uma certeza: cada pessoa tem um valor único, pois criada à imagem e semelhança de Deus. Essa acolhida se completará no convite para participarem das celebrações religiosas.

Ali manifestamos que nossa unidade vai além dos laços de sangue e da própria cultura: irmãos procedentes de lugares diversos, unem-se numa mesma oração, mesmo se proferida em línguas diferentes. Os turistas, por seu lado, são convidados a interessarem-se pela comunidade que os acolhe, demonstrando-lhes interesse em conhecer seus valores e expressando-lhes solidariedade.

No campo do turismo são imensas as possibilidade de expressões de amor, pois acolhe-se o outro e procura-se responder às suas necessidades porque nele se vê o rosto de Jesus Cristo.

Nos santuários e lugares sagrados, a prática da acolhida se faz ainda mais necessária. Muitos turistas que os procuram não o fazem pelo sentimento religioso, mas por motivos culturais, históricos ou de descanso. Nessa procura, não poderemos ler sinais de um desejo de retorno a Deus? Para muitos turistas, essas visitas serão, talvez, a única oportunidade para conhecer a fé cristã – daí a importância de sermos capazes de ajudá-los na difícil viagem ao mais íntimo do próprio coração.

O turismo nos ajuda a descobrir que tanto o homem como a mulher têm sede de novos horizontes. O ser humano é inquieto por natureza. Somos eternos viajantes, à procura do novo, do desconhecido, do belo. Muito faremos se ajudarmos os turistas a descobrirem que, no fundo, suas insatisfações e buscas têm um objetivo e um nome: Deus

Dito isso de outra forma: Turista, que sobes montes para ver horizontes; homem ou mulher de alma errante e sedenta de verdades, que buscas a solidão para ter companhia; coração insatisfeito que vagueia, que voa, mas que também caminha; peregrino inquieto, desejoso de andar por mil estradas: teus caminhos vão a muitos lugares… E tu, aonde vais?…

Dom Murilo Krieger, scj, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil
Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

 

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