Veja mais três símbolos e objetos da festa do Círio de Nazaré

Nos artigos anteriores, apresentamos detalhes sobre as duas imagens de Nossa Senhora de Nazaré e depois sobre o manto renovado a cada ano e a berlinda onde a imagem da Padroeira da Amazônia e do Pará é transportada durante o Círio de Nazaré, um dos pontos altos do turismo religioso no Brasil.

Ao longo dos seus três séculos de realização, o Círio foi incorporando outras importantes tradições que vamos conhecer melhor agora: a corda, os carros e os cartazes. 

Pés descalços, obrigação no Círio de Nazaré, pisam a corda antes do início da procissão

Pés descalços, obrigação no Círio de Nazaré, pisam a corda antes do início da procissão da Trasladação, na tarde de sábado – foto Guillermo Alcorta – Panrotas

 

A corda

A corda puxada pelos pagadores de promessas, conhecidos no Pará como promesseiros, é um dos maiores ícones da grande procissão do Círio de Nazaré, bem como na procissão da Trasladação. Os fiéis disputam a oportunidade de puxar a corda e seguem descalços todos os três quilômetros da procissão. O uso de calçados foi proibido para proteção dos próprios fiéis.

O seu uso data da procissão de 1855, quando uma grande chuva fez com que a berlinda atolasse e os responsáveis pela festa tiveram a idéia de emprestar de um comerciante uma grande corda para que os fiéis puxassem a berlinda.

Desde então, os organizadores do Círio começaram a se prevenir, levando sempre uma corda durante a romaria, mas só em 1885, trinta anos depois de ser usada pela primeira vez é que a corda foi oficializada no Círio, substituindo definitivamente os animais que puxavam a berlinda.

No Círio de 1926, o arcebispo Dom Irineu Jofilly suprimiu o seu uso nas procissões do Círio de Nazaré, já que “não compreendia o comportamento na corda, onde homens e mulheres se empurravam em atitudes nada devotas”.

A proibição gerou várias manifestações populares e políticas, mas chegou a durar cinco anos. Só em 1931, com intervenção pessoal do governador do Estado na época, Magalhães Barata, a corda voltou a fazer parte do Círio.

Atualmente, ela tem 400 metros de comprimento, duas polegadas de diâmetro e é produzida em titan torcido de sisal oleado.

Anúncios pedindo que os fiéis não cortem a corda do Círio de Nazaré

Anúncios da Diretoria da festa do Círio de Nazaré tentam acabar com o costume de corte da corda

Enfileirados, homens e mulheres puxam a corda que faz a berlinda com a imagem da Santa se movimentar. Anteriormente amarrada à berlinda, a partir de 1999 ela passou a ser atrelada através de uma argola metálica.

O atrelamento ocorre no Boulervard Castilhos França, 400 metros depois do início da procissão. Como são os promesseiros da corda que dão ritmo à procissão, em alguns anos ela precisou ser desatrelada antes do término da romaria para que o Círio pudesse seguir mais rapidamente.

Até 2003, o formato da corda era de “U”, ou seja, as duas extremidades da corda eram atreladas à berlinda. A partir de 2004, por motivos de segurança, ganhou formato linear, seccionada por peças de duralumínio, o que deu origem às chamadas estações da corda. 

Cortar a corda para ficar com uma lembrança é um costume bastante combatido pela organização do Círio de Nazaré, mas que continua sendo praticado pelos fiéis. Pedaços da grossa corda, mesmo que sejam poucos fios, são bastante disputados.

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Os carros

Além da berlinda, outros treze carros acompanham a procissão do Círio. Eles são um símbolo importante da devoção mariana, onde os romeiros depositam objetos de promessa que carregam durante a procissão.

Um desses carros – o dos Milagres – se refere ao milagre que teria ocorrido no ano de 1182, quando o fidalgo português Dom Fuas Roupinho, prestes a despencar num abismo com seu cavalo, recorreu a Nossa Senhora de Nazaré. Há ainda o Carro do Caboclo Plácido, o Barco dos Escoteiros, a Barca Nova, o Carro do Anjo Custódio, a Barca com Velas, o Carro do Anjo Protetor da Cidade, a Barca Portuguesa, o Carro dos Anjos I, a Barca com Remos, o Carro dos Anjos, o Carro da Santíssima Trindade e o Cesto das Promessas.

Os cartazes

A cada ano, os cartazes de divulgação do Círio são produzidos e distribuídos à população, que tem por hábito afixar nas portas de suas casas, como uma homenagem daquele lar à padroeira. O número de cartazes impressos chega a quase um milhão e a cerimônia da apresentação dos cartazes costuma atrair milhares de pessoas.

 

Crédito: texto adaptado do site do Círio de Nazaré (www.ciriodenazare.com.br)

 

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